sexta-feira, 22 de maio de 2015

União dos Militares de Goiás, diz que prisão do Cabo Braga foi abusiva, já que os bombeiros punidos buscavam jornada de trabalho justa.


A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás (SRTE/GO) investiga a prisão do cabo do Corpo de Bombeiros Uilia Braga, suspeito de denunciar excessos na escala de trabalho. Ele está detido desde segunda-feira (18) no 8º Batalhão, em Goiânia. "Nós denunciamos a escala dos bombeiros. Ela tem privado a pessoa humana do convívio com sua família. Ela tem privado o cidadão de ter acesso à dignidade”, afirmou Uilia em entrevista à TV Anhanguera pelo telefone celular ao qual tem acesso dentro do Batalhão. 

Segundo Uilia, em agosto do ano passado ele participou de uma reunião para denunciar o que ele considera uma jornada de trabalho excessiva. Outros quatro homens do Corpo de Bombeiros foram punidos pelo mesmo motivo. Três deles ficaram presos em março. O outro foi excluído da corporação.

 O cabo acredita que a punição foi exagerada. "Minha carreira acabou de ser sepultada. Eles cuidaram de enquadrar tudo o que fiz, a busca dos direitos, eles me enquadraram nos piores tipos indisciplinares existentes no regulamento", afirma. 

Para a União dos Militares de Goiás, a prisão foi abusiva, já que os bombeiros punidos buscavam melhorias. Além disso, denuncia um déficit de profissionais na corporação. “A mão de obra para prestar esse tipo de serviço O governo não contrata mão de obra para a Polícia Militar, e nem para o Corpo de Bombeiros. Ou seja, [não há] mão de obra para prestar esse tipo de serviço, para poder não sobrecarregar os companheiros de trabalho”, afirma o presidente da União, Valdenir Medrado. 
                              Bombeiro é preso por denunciar jornada de trabalho, em Goiânia Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
 O comando dos Bombeiros afirma que o homem cumpre prisão por ter cometido transgressão grave, prevista no regulamento da corporação. Além disso, diz que ele foi punido após a instauração de procedimento administrativo. 

Uma auditoria da SRTE investiga o caso. A prisão disciplinar de militares é prevista no regulamento da corporação, mas a auditora Jaqueline Carrijo questiona os efeitos da punição na carreira dos oficiais. "Prisão é para bandido. Não é para trabalhador que reivindica melhor condição de trabalho", afirma a auditora. 

O comando do Corpo de Bombeiros explica que a jornada atual dos militares é de 24 horas trabalhadas por 48 horas de descanso. Além disso, afirma que a corporação estuda a possibilidade de implantar uma escala de 24 horas trabalhadas por 72 horas de descanso. 

Já sobre a falta de trabalhadores, a corporação informou que o planejamento estratégico prevê a necessidade de concurso público para aumentar e efetivo nos próximos anos. Entretanto, não foi dito uma data específica para que isso ocorra.